O B4F nasceu em 2008, começando por ser uma tertúlia de amigos que decidiu organizar uns torneios diferentes do que era habitual encontrar nos tradicionais clubes de bridge.

Decidimos criar uns torneios em barómetro com periodicidade mensal e, para o efeito, estabelecemos uma parceria com o Hotel Amazónia do Jamor que, gentilmente, nos cedeu as suas salas.

Longe estávamos de imaginar o impacto que a iniciativa teve, com uma média de participantes a rondar os 40 pares.

Este resultado veio dar razão à ideia que tínhamos de que havia um espaço alternativo por preencher, não só na oferta de novas iniciativas, mas sobretudo na necessidade de um novo olhar sobre a modalidade. E por aí nasceu a filiação do clube na FPB em Janeiro de 2009.

Sem espaço próprio para a organização das nossas iniciativas vamos andando, de então para cá, com “a casa às costas”. Os acordos de parceria que fomos mantendo com diversas entidades e com outros clubes de bridge foram servindo para manter uma actividade regular, mas muito longe do que sentíamos ser a nossa especial vocação: a formação de novos praticantes.

A Escola de Bridge, associada ao B4F, foi desenvolvendo diversas iniciativas, da Iniciação ao Aperfeiçoamento, passando pela formação de árbitros e monitores de bridge mediante protocolos estabelecidos quer com a FPB quer com a ARBL. No entanto sempre nos debatemos com a falta de um espaço que possibilitasse a execução de um projecto continuado de formação e integração de novos praticantes na competição.

As dificuldades não fizeram esmorecer o nosso entusiasmo e o sonho continua.

A PANDEMIA

O ano de 2020 chegou e com ele uma nova realidade que, ao que tudo indica, poderá abanar os alicerces da modalidade tal como a conhecemos. O surto pandémico que nos atinge tem ainda imprevisíveis consequências para a modalidade. Com toda a actividade desportiva suspensa, o bridge transferiu-se para o online. Como costumo dizer é bom ter esta possibilidade, mas está muito longe de ser a mesma coisa.

Uma das características mais importantes do bridge é a sua sociabilidade. A capacidade de juntar pessoas independentemente de cor, sexo, religião, idade ou orientações políticas, em torno de um pano verde onde o que nos distingue é a capacidade técnica de resolver desafios e o que nos une é o prazer que o jogo nos proporciona, a adrenalina provocada pelo contrato que tem de se ganhar ou de se derrotar, a capacidade de comunicação com o parceiro, o espírito de equipa.

Até quando irá a pandemia impedir-nos de voltar ao pano verde ainda não sabemos. Apesar de haver alguma abertura para o regresso às lides, as dificuldades são muitas e as incógnitas sobre o futuro próximo ainda mais.

Forçado a interromper a sua actividade, como todos os outros, o B4F está igualmente ansioso pelo regresso à normalidade. Mas fá-lo-à quando existirem condições de segurança para tal. A parceria que temos com o Clube Militar Naval não tem ainda condições para ser retomada. As instalações e as mesas de jogo que nos são gentilmente disponibilizadas não permitem cumprir as regras estabelecidas para o regresso imediato.

Mas estamos determinados a fazê-lo assim que possível e para isso procuramos novas soluções.

O FUTURO DO BRIDGE

A estrutura federativa foi profundamente afectada pela pandemia. A suspensão de toda a actividade levou a um significativo decréscimo no número de praticantes licenciados em 2020 o que entendemos ser uma péssima atitude de muitos praticantes que decidiram ignorar as dificuldades de tesouraria da FPB e não pagaram a sua taxa de licenciamento, mesmo alguns que até à suspensão da actividade já tinham disputado provas oficiais.

Felizmente também se verificou o contrário e vários clubes registaram mesmo um aumento no número de praticantes licenciados. Feitios!

O B4F saúda todos os clubes que sem sede própria e sem estruturas profissionalizadas conseguem, ano após ano, desempenhar um papel fundamental para não deixar o bridge definhar.

Quando decidimos oficializar a criação do clube manifestámos a intenção de procurar activamente novos caminhos para o bridge. De então para cá muitas foram as alterações que a modalidade foi conhecendo e o B4F tem consciência de ter desempenhado um papel importante na mudança.

Conscientes que não agradou a todos, sabemos e a verdade dos números assim o demonstra, que é largamente maioritária a vontade de encontrar novos rumos para o bridge. E o infortúnio que nos bateu à porta em 2020 pode ser, como todas as graves crises o são, uma janela de oportunidade.

No final do ano, mais concretamente em Novembro irão realizar-se eleições para a FPB e para a ARBL. Não sendo ainda evidente qual o quadro eleitoral que iremos encontrar e não havendo ainda candidaturas oficiais é do conhecimento público que há preparativos em marcha. Na altura própria e perante o cenário que se nos apresentar o B4F tomará posição oficial sobre a matéria.

No entanto deixamos desde já claro que, seja qual for a decisão, a mesma será ponderada em torno dos respectivos programas e da composição das listas e que o B4F irá participar activamente, como sempre o fez, na defesa do que acreditamos ser a melhor solução para o bridge.

Entendemos que o futuro do bridge passa, fundamentalmente, pelo aparecimento de novos intervenientes, novas equipas e pela chamada dos praticantes mais jovens à liça. Com novos projectos e novas ideias. Com ponderação, mas com ousadia. Com espírito aberto, mas com determinação.

Está na altura de praticantes que, como o signatário deste artigo, andam há muitos anos nestas andanças darem lugar aos novos. De passar o testemunho.

Todos os que têm andado por aqui nas mais variadas funções deram, seguramente, o seu melhor. Apesar dos erros cometidos, apesar das críticas, por vezes justas, por vezes desabridas e até inqualificáveis (são os ossos do ofício), julgo poder dizer que todos os que saem o fazem de consciência tranquila.

Quer queiramos quer não os tempos que aí vêm vão obrigar-nos a profundas mudanças. Vão abanar a zona de conforto de muitos de nós, gente de hábitos. Esta é a oportunidade de fazer o que ainda não conseguimos fazer: mediatizar a modalidade, estabelecer parcerias que voltem a levar o bridge às Escolas, obter apoios para a formação de novos praticantes, estabelecer um projecto coerente para a formação, criar espaços próprios para a evolução competitiva dos novos praticantes, reunir um conjunto de colaboradores disponíveis para cumprir e levar à prática este projecto.

Estas são tarefas para gente nova e dinâmica. Para decisores que não tragam consigo estereótipos ou ideias feitas, principalmente todas as que têm como fundamentação o “sempre foi assim”.

O tempo é de mudança, apesar das incertezas e das nuvens ainda negras que pairam sobre a modalidade. Mas é sobretudo de confiança. Se todos assim o entendermos o bridge sairá desta crise com capacidade de crescer. Juntos, apesar das diferenças, nunca seremos de mais.

Sobre a posição do B4F está tudo dito. Pela minha parte encerrarei em definitivo as minhas funções de dirigente no próximo mês de Novembro. O que não me impedirá de continuar disponível para ajudar no que estiver ao meu alcance nem de continuar a seguir atentamente tudo o que à modalidade diz respeito.

Foi um prazer e uma honra servir o bridge da melhor maneira que soube.

Luís Oliveira