EstóriasXIII - Uma mão interessante ou as voltas do bridge No campeonato de equipas da ARBL surgiu uma mão interessante e que dá pano para mangas seja na discussão de qual é o melhor contrato, seja na análise do contrato de 3ST, opção escolhida pela maioria dos pares. As 4 mãos:
Depois da abertura de 1 A saída normal de Este é ao A importância das pequenas cartas e as muitas nuances que fazem do bridge um jogo fantástico. XII - A partida dos milagres revisitada Durante muitos anos a partida dos milagres, assim baptizada pelos próprios intervenientes, tinha lugar todas as tardes nas salas do CBL. Inúmeros foram os casos dignos de figurar nos livros de Vitor Mollo. Desses tempos fica a memória e a saudade de muitos que já não estão entre nós. Ora estava eu a assistir no BBO à transmissão dos Campeonatos da Europa de Clubes, prova que reunia muitos dos jogadores de topo do bridge mundial quando, de repente, me vi de regresso à partida dos milagres. Ora vejam lá o que aconteceu: Norte apresentava a seguinte mão:
De súbito o jogador em Norte sentiu necessidade de anunciar o seu potente bicolor rico e não encontrou melhor maneira de o fazer que marcar 5 Para a história de um quase certo recorde em provas de topo internacionais, aqui ficam as 4 mãos:
Jogava-se a meia-final do Campeonato da Europa de Clubes mas este episódio poderia muito bem pertencer ao arquivo da partida dos milagres. Luis Oliveira XI - Intervir ou não intervir Numa das rondas de apuramento dos recentemente disputados CE apareceu uma mão que causou fortes danos em muitas equipas. Que condições necessita ter o jogador nº2 a seguir a uma abertura em 2 fraco para entrar no leilão. Um bom naipe? Um bom jogo (pontos)? Ambas? Estas são as perguntas para as quais cada parceria deverá encontrar respostas. Está em Este, vulnerável contra não vulnerável, em 2ª posição e o seu adversário abriu em 2 fraco (seja multicolor, seja no próprio naipe). O que faz com? E- A 4 A minha reacção imediata é passar! Bem ou mal, deixo ao vosso critério, mas arrepia-me só de pensar entrar em 2ª posição com um mau naipe e um jogo pouco melhor que mau. Utilizando uma figura de estilo que ganhou visibilidade na política portuguesa, "qual é a pressa?" Se Sul tiver uma mão forte, ficamos imunes a um castigo severo, se for o parceiro a ficar em posição de réveil por certo irá reabrir. Qual é a pressa e quais são os perigos de passar? Pois bem, cerca de 40% dos jogadores em competição, entre open, senhoras e seniores decidiram entrar em 3
Pode sempre argumentar-se com o azar para justificar os 1100 ou os 1400. Proponho um exercício: troque as mãos de Sul com Oeste e sente-se aí. Agora vê o seu parceiro entrar em 3 Ilustres jogadores não foram da minha opinião. Provavelmente existirão razões que a minha razão desconhece e que muito gostaria de conhecer. Luis Oliveira IX e X - Comentários do Victor Ferreira aos textos IX e X Sobre "Nos limites da emoção" Quanto ao jogo do Europeu afinal qual é a diferença entre 6 espadas e 6 copas? Não se resume quase tudo a adivinhar a posição da D de espadas? Claro que para 6 espadas é necessário que as espadas estejam 3/3 (estavam!!!) enquanto que para 6 copas basta adivinhar!! Será assim ou há alguma linha de jogo a 100% para 6 copas? Falem os experts! Vitor Ferreira Uma alternativa possível Embora fora da classificação de "expert" aqui vai a minha opinião: Não sendo uma verdade absoluta que, falando de bridge, é coisa que não existe, será de esperar que o manejo de um contrato com 10 cartas de trunfo no campo ofereça hipóteses adicionais em relação a um contrato do mesmo nível com apenas 7 trunfos. No caso presente e admitindo a mais que provável saída a paus, até porque é a única que pode criar alguma dificuldade ao carteador, para além da lotaria de adivinhar a colocação da Esta mão foi jogada 18 vezes na fase final dos CE. Por 14 vezes o contrato foi em 6 Luis Oliveira Sobre "Uma história de programas" Quanto à estória do Casimiro e do Tó e conhecendo eu o Tó, como julgo que conheço, e o Casimiro, que é "rapaz" de "colaborar" em qualquer "coisa", tenho uma versão para o KXT ( a utilização de aspas nalgumas palavras é para reforçar a ideia!!! LOL). Vitor Ferreira X - Nos limites da emoção Um Campeonato da Europa é sempre um evento capaz de enriquecer a história do bridge, seja com episódios pitorescos, seja com exemplos de técnica superior dos jogadores mais dotados. Uma história que deixa registada para a posteridade os nomes dos vencedores e as suas incríveis proezas na mesa de jogo. Mas, como em qualquer outro aspecto de vida, existe sempre o outro lado da história. O lado de quem perdeu. A angústia de quem viu esfumar-se, como grão de areia entre os dedos, a expectativa de figurar na galeria dos vencedores. Este artigo irá visitar esse outro lado sombrio e solitário da história. A acção passa-se na Croácia. Estamos no último encontro do Open com quase tudo por decidir: quem ganha, quem fica no pódio, quem se apura para a Bermuda Bowl. Na luta pelo título Israel, Mónaco e Inglaterra, com estes últimos em confronto directo. E se a proximidade na classificação já deixava no ar adrenalina q.b., a competitividade no encontro entre Mónaco e Inglaterra esteve sempre ao rubro, com alguns dos melhores praticantes do mundo a explicarem porque é o bridge um jogo extraordinário. A três mãos do fim de tudo o Mónaco seguia na frente da prova, com uma ligeira vantagem sobre Israel a quem o último encontro não estava a correr nada bem. Até que...
O leilão seguiu:
A abertura é forcing por 1 volta e mostra 5+ cartas no naipe ou um tricolor 4-4-4-1. Tudo parecia normal, até que surgiu a voz de 4 Este final dramático não é novidade para o por muitos considerado melhor par do mundo (Fantoni - Nunes) e não será por aqui que irão perder o estatuto de excepcionais jogadores. Ver fugir um título europeu assim é um golpe duro, mas faz parte da vida destes extraordinários intérpretes da modalidade. Para nós, espectadores e comuns mortais, é puro entretenimento e um precioso contributo para alimentar a paixão com que andamos por aqui. IX - Uma estória de programas por Casimiro Talhinhas “Genious does what is must,talent does what it can” Prolegómanos
Tomemos um pequeno exemplo. Suponha que quer extrair de uma máquina antiga, ainda
a funcionar ( Fig. 1) informação para uma moderna de topo de gama ( Fig 2 ), de forma a
que esta última “beba” da garrafa antiga e se mostre um produto da era moderna, tipo
século XXI. Princípio Meio Fim ( ???? ) Casimiro Talhinhas VIII - Psíquico versus psíquico Se existe alguma palavra que no vocabulário bridgistico não gostamos de ouvir ou pronunciar é o PSIQUICO, porque geralmente é associada a batota, tentativa de enganar o adversário, etc. Em muita situações, não é este o objectivo do jogador, mas simplesmente pôr alguma dificuldade no leilão do adversário. Saudações bridgistas VII - CUIDADO COM OS RÉVEILS (PARTE 2) Olá LO, Na ultima jornada das séries neste recem terminado regional de Equipas da ARBL, deu-se o seguinte caso:
Na minha mesa (como, acredito, em muitas outras, por exemplo na outra sala do meu encontro) o leilão teve a seguinte primeira volta:
Na outra sala, Este fez um reveil em 1 Cuidado com os reveils! Cumps, VI - CUIDADO COM OS RÉVEILS! Imagine-se sentado(a) em Sul com a seguinte mão: SUL O leilão começou à sua esquerda e seguiu assim:
Seguindo o princípio que não existem barragens em situações de réveil, parece normal a reabertura de Sul em 3
E- A D 10 5 4 Saída natural ao Estou certo que a todos nós já aconteceram situações talvez não tão dramáticas mas com consequências semelhantes: reabrir um leilão e ver os adversários aterrar num melhor contrato. Não existem regras estanques para estas situações, mas o conselho é: cuidado com a ausência de anúncio de naipes ricos. Não apareceram no breve leilão mas vão, quase certo, surgir quando este se torna competitivo. Se aparecerem via parceiro, as notícias não são tão boas quanto possam parecer - se tinha um naipe rico e não entrou no leilão é porque lhe faltam pontos. Se aparecerem nos adversários, a reabertura "obrigou-os" a descobrir um fit e um contrato mais vantajoso. Não tenha medo de reabrir mas, como dizia a minha avó: "cautelas e caldos de galinha". Luis Oliveira V - A PROPÓSITO DA HISTÓRIA DE UMA REIVINDICAÇÃO DE VAZAS Antes de mais, parabéns a si e ao resto da equipa responsável pelo projecto “Estórias”. Como sabe, não sou árbitro mas, mesmo assim, acho que sei o suficiente para fazer valer os meus direitos como jogador e poder discutir um ou outro caso de arbitragem. Posto isto, reparei em dois pormenores no caso apresentado pelo Vitor Ferreira que penso não terem sido considerados por si e que poderão alterar a sua opinião acerca da forma como o caso deveria ser tratado. A primeira coisa que poderá ter escapado é o ‘timing’ do ‘claim’. Caso o árbitro tivesse aplicado a lei na primeira chamada, a carta estaria penalizada e teria de ser jogada na primeira ocasião legal, certo? Parece-me que essa primeira ocasião seria: à saída. Ora, o declarante aceitou a saída (não só por ainda não estar consciente da importância do 2 de paus para o sucesso do contracto, como até lhe dar jeito para evitar algum corte extemporâneo) e só depois quiz penalizar a carta. Parece-me lógico que, ao aceitar a saída a trunfo, abdicou do direito a penalizar a carta. Assim, não pode agora reivindicar essa penalização na segunda oportunidade legal (ou mesmo um mandar voltar a trás na saída depois de ver o morto). 1. N joga uma carta que não o 2, 7 ou dama (ou o carteio acabaria automaticamente); Apartir daí é ver se a Dama cai após AK de paus serem jogados e caso isso não aconteça se a Dama de Ouros está ou não bem o que me parece uma linha normal para quem cede o primeiro pau. Isto é, do meu ponto de vista, o que deveria ser feito, não é aquilo que eu faria se fosse o árbitro. Não concordo com vários pontos dos regulamentos e este é um deles. Como as regras actualmente estão, o carteador olha para o morto, reivindica as 12 vazas negando-se a dar qualquer explicação e agora o árbitro que ache a melhor linha por ele. Acho isso ridículo! Eu, no lugar do árbitro insistiria com o carteador para me dizer como tenciona jogar caso N fique em mão e depois facilmente calcularia o resultado da linha apresentada pelo carteador. O outro “pequeno detalhe” no relato do caso ao qual penso que o Luis não terá dado a importância devida e que até torna irrelevante tudo o que discuti acima é “Durante o leilão foi inadvertidamente vista por todos uma carta de N que estava voltada face para cima.” Ora, não estou muito certo que esta frase atribua as culpas a N... Reconheço que não sei se o leilão começa quando se retiram as cartas da carteira ou se começa apenas com a primeira voz. Se for com a voz, esqueça este ponto e considere apenas o que disse acima. Mas, se for no momento em que se pegam nas cartas, parece-me que o “estava voltada face para cima.” se refere a que foi retirada da carteira virada para cima e não deixada cair ou por alguma motivo inadvertidamente exposta por responsabilidade de quem a detinha. Assim, parece-me óbvio que não possam ser atribuídas responsabilidades a N pela situação, e, ao que sei, é a mesa anterior que deve ser penalizada e o jogo anulado na presente mesa. Isso deveria ser seguido à letra num torneio de grau de importância elevado mas defendo que num torneio mais “social” se possa optar por seguir tudo normalmente até porque na maioria das vezes um 2 não fará qualquer diferença. Compreendo, portanto, e aceito a primeira decisão do árbitro se tomada num ambiente menos rigoroso somada a uma eventual penalização aos anteriores envolvidos. Acrescentaria apenas a ressalva de que o deveriam chamar caso esse 2 se venha a tornar relevante para o carteio ou flanco e aí voltaria atrás na minha decisão e anularia o jogo. Neste caso em particular, considero o 2 Paus informação não autorizada para qualquer das linhas. Como o carteio se baseou nessa informação, o árbitro ver-se-ia forçado a reconsiderar a sua decisão anterior e anular agora o jogo. Nota: mesmo sem saber a posição do 2 Paus, jogar para ele ou a Q bem colocado parece-me uma boa linha (se vi bem, só perde para exactamente Qxx2 de paus em S). Ainda se fiz bem as contas, é uma linha ainda melhor do que fazer uma passagem, testar o naipe 3-3 e se tudo isso falhar fazer a passagem à outra Q (esta perde para ambas as Q em S e o primeiro naipe testado 4-2 em qualquer dos jogadores). Também melhor que linhas que acabem com uma adivinha sobre a posição das cartas para decidir qual o AKJ a jogar a seis cartas do fim. Posto isto, deverá, até, ser a melhor linha mas, para além da questão de se ocorreria ao carteador caso não tivesse tido acesso a informação não autorizada ou da razão pela qual escolhe paus em vez do exactamente igual naipe de ouros, o carteio passaria por cobrir com o A ou K qualquer carta que não o 2 jogada por N e portanto não poderia fazer um ‘claim’ baseado em “Dou uma vaza”. Estou certo em toda esta minha análise ou está-me a escapar algo? Paulo Cruz Meu caro Paulo, Antes de mais os nossos agradecimentos pela tua colaboração e as nossas desculpas pelo atraso na publicação. Mas mais vale tarde que nunca. Sobre as questões pertinentes que levantas e sendo certo que muitas das histórias que envolvem reivindicações e concessões alimentam intermináveis discussões de especialistas, deixa-me adiantar o seguinte: 1- De acordo com o artº 24 do CIB uma carta exposta durante o período de leilão torna-se uma carta penalizada (de notar que, independentemente da origem do problema, o jogador é responsável pelas suas cartas no momento em que as retira da carteira). Tanto quanto percebi pela descrição do Vitor, a carta continuava virada durante o período de leilão e não apenas quando foi retirada da carteira. 2- Tratando-se de uma carta pequena, é tratada como sendo uma carta penalizada secundária. A consequência é que a carta pode ser substituída por uma honra mas não por uma outra carta pequena quando tiver de ser jogada (artº 50b e artº50c do CIB). Ora, de acordo com o exposto, Norte apenas poderia "substituir" a carta penalizada por uma honra e não por uma qualquer outra carta pequena. E, mesmo que tal acontecesse, mantinha-se a situação de penalização da carta. 3- As cartas penalizadas são informação não autorizada para a linha não infractora e autorizada para a outra linha. Por isso, o nosso declarante tem todo o direito de utilizar essa informação em seu proveito. As considerações que fazes sobre as normais linhas de jogo por parte do declarante são pertinentes numa discussão meramente técnica mas partem do princípio errado de que o declarante do nosso caso não tem direito a usar a informação proveniente da exposição da carta do defensor. 4- Finalmente, quanto ao teu desacordo com alguns aspectos do CIB, nomeadamente com os que envolvem estes casos, parece-me que o facto do jogo terminar no momento da reivindicação/concessão e de ser o árbitro a decidir o resultado a partir daí, é o caminho certo. Ao reivindicar ou conceder vazas ao adversário sem indicar a linha de jogo que vai seguir, o jogador deve perder o direito de, agora alertado para a contestação dos adversários, se "lembrar" que afinal o jogo tinha ainda problemas por resolver. Existem várias coisas no CIB com as quais não concordo mas, neste caso, parece-me que a lei está certa. Luis Oliveira IV - HISTÓRIA DE UMA REIVINDICAÇÃO DE VAZAS "Não sei se isto que vou contar se enquadra perfeitamente nesta rubrica de "Estórias",se é um simples problema ou se é um caso de arbitragem. Após um leilão que não interessa ao caso a linha E/W chegou ao contrato de 6 espadas jogadas por W. N saiu a uma espada e o morto expôs-se O jogo era o seguinte: West East E-A Q J 10 9 8 6 E-K 5 4 3 2 O jogador em W tabelou e disse: "Cedo uma vaza" Os adversários não aceitaram e chamaram o árbitro. Quando o árbitro chegou à mesa teve dificuldade em decidir e até ficou um pouco comprometido! 1ª Pergunta: O jogo está de facto cumprido ou não? Para quem tem dúvidas em relação a qualquer das perguntas talvez a história real os ajude!! Durante o leilão foi inadvertidamente vista por todos uma carta de N que estava voltada face para cima. Perante esta situação será que já podem responder à 1ª Pergunta? Saudações bridgísticas Vitor Ferreira O caso é curioso porque envolve muito mais coisas que uma simples reivindicação. Desde logo porque o árbitro cometeu um erro grosseiro ao mandar seguir o jogo, sem mais, quando confrontado com a exposição de uma carta durante o período de leilão e que, por isso mesmo, se tornava uma carta penalizada (caso fosse uma honra haveria ainda outro tipo de consequências como seja o facto do parceiro ser obrigado a passar na vez seguinte de falar). A complexidade da situação aumenta porque a decisão do árbitro não foi contestada na altura por nenhum jogador mas o declarante decidiu substituir-se ao árbitro e penalizar a carta mostrada. Mas foi mais longe: ao reivindicar as vazas sem qualquer explicação, nomeadamente, não explicando que, considerando ele a carta de Norte penalizada e como tal obrigada a ser jogada, iria cobrir com o 6 do morto e esperar pela volta de Sul em corte e balda ou para uma das fourchettes do morto. Perante o exposto, este é seguramente um caso com diferentes decisões por parte dos especialistas na matéria e, também, alguma controvérsia. Por um lado, um jogador não pode ser coartado nos seus direitos por um erro de facto do árbitro (não penalização da carta exposta durante o leilão). Por outro lado, esse direito deveria ter sido exigido na altura da decisão do árbitro. A reivindicação não foi acompanhada de nenhuma explicação o que, na situação presente, iria seguramente ser contestada pelos adversários. Mas o facto de não ter o árbitro sido confrontado com a sua primeira decisão não pode, em meu entender, impedir o campo não infractor de usufruir dos seus direitos. Não concordando com a forma escolhida pelo declarante, considero que é evidente a sua reivindicação e o seu direito a reclamar as 12 vazas. O comprometimento do árbitro é natural, depois de ter sido confrontado com o seu erro e que, para todos os efeitos, esteve na origem de todo o episódio. Acontece aos melhores! Nas histórias que envolvem reivindicações, existe uma real que envolveu o Francisco Sousa Tavares, salvo erro durante um Campeonato da Europa contra a Suécia. A determinada altura do carteio, com a impetuosidade que lhe era característica, o saudoso Tareco declarou "é tudo meu", afirmação imediatamente contestada pelo sueco que ripostou "não, não. É tudo meu". E foi. Ao que parece o Tareco tinha-se esquecido de um trunfo na mão do adversário que tinha também um naipe já apurado. Não conheço a mão em concreto e creio estar a relatar fielmente a história mas se algum dos leitores conhecer os detalhes e a quiser partilhar, agradecemos. Luis Oliveira III - O QUE PODIA TER SIDO E (AFINAL) NÃO FOI "Não sou muito frequentador das partidas livres, nomeadamente a famosa “chaminé”, porque muitas vezes os robbers demoram imenso tempo. Aprecio muito mais o sistema “Chicago”. O jogador sentado em E, doravante designado por MJ, abriu VERMELHO em 3ST, mostrando um naipe menor sólido. Só me ocorreu DOBRAR. Marcar 5♦ em alternativa? Pensei que se o meu parceiro não se aguentasse ao DOBRE iria marcar qualquer coisa e eu aterrava em 5♦. Será que efectivamente isto aconteceu na mesa de jogo? Deixo aqui o meu desafio: Assim, perdi a oportunidade de bater o meu record de pontos ganhos numa só mão. Um abraço II - FANTÁSTICAS OCORRÊNCIAS Imaginação q.b. (primeira história) - reportada por Richard Pavlicek Será que a realidade pode ser mais estranha que a ficção? Por mais extraordinário que possa parecer, a verdade é que PODE. Como o demonstra a situação, retirada da vida real, protagonizada por jogadores de topo do bridge internacional e reportada por Pavlicek. As mãos: O leilão seguiu
Depois da barragem de Norte, Este marcou 5ST, uma interrogativa a trunfo para um grande cheleme em copas. Antes de lhe contar a história toda, o que faria com a mão de Sul?
O resultado é fácil de adivinhar: 13 cabides dobrados, um número só suplantado pelo nosso saudoso EDU durante uma partida livre na famosa "mesa dos milagres", em que entrou em 5 Imaginação q.b. (segunda história) - história que chegou até nós através do Luís Correia O episódio passa-se numa mesa de partida livre. Um casal recebe uns amigos em casa e depois da mulher fustigar o marido por este não ter dobrado um contrato surgiu a seguinte mão:
Imaginativa a entrada de Sul com os únicos 4 pontos que restavam do baralho para a linha NS e um naipe...com sequência. Tivesse Oeste descoberto a saída a oiros e a nossa história seria o reporte de mais um massacre, com a defesa a realizar todas as 13 vazas. Mas Oeste, optou pela saída ao A defesa de Este é inteiramente sustentada pela descompostura de não ter dobrado um contrato adversário na mão anterior. Culpado ou inocente, desta vez? Decidam vocês, caros leitores, porque nestas questões entre marido e mulher, há muito que me habituei a não opinar.
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