Estou sentada em E o leilão seguiu:
O meu parceiro saiu ao 3 e aparece este morto fortissimo.
O carteador entrou no As de e virou uma pequena eu pus uma pequena o carteador jogou o 9 e o meu parceiro fez de As.
Parceiro jogou o 2 dando a indicação de ter apenas 2 cartas de , pois como saimos às 1, 3 e 5, eu e o morto temos 4, o carteador assiste 2 vezes, logo o meu parceiro saiu ao curto o que não é habitual.
Esta era uma primeira pista, que não me apercebi no momento do jogo, mas deveria ter-me questionado, porque não saiu o meu parceiro ao naipe não falado ?
Morto fez a 2ª vaza de e jogou a dama de à qual eu assisti com pequena , voltou a jogar e entrei no Rei e fiz a vaza.
Agora tenho que parar para pensar, olhar para o morto, contar as vazzas, para tentar perceber o que devo atacar.
Assim o morto faz 3 , 3 , e pergunto-me a mim mesma como podemos dar o cabide? o que será que o declarante tem na mão fechada?
A 1ª questão que deveria ter feito era: 3 é desistência? ou é forcing mostrando uma mão construtiva?
Se eu tivesse perguntado, os adversários teriam respondido que era para jogar, logo o jogador com uma mão fraca não queria jogar partida mesmo que o parceiro tenha uma mão muito forte (inversa).
Por outro lado também posso pensar que se o declarante tiver o rei de , se eu jogar a ganha logo, pois faz mais 4 vazas a além daquelas que já possui.
Será que o furo é a !? Eu tenho o As se o meu parceiro tiver RV damos um cabide, pois conseguimos fazer 3 e 2 , bem se calhar não tem!!
Será que o meu parceiro tem o Rei de !? Tive a pista da saida que não aproveitei. Posto estas hipóteses todas e olhando para o morto o que devo efectivamente jogar?
Devo puxar o às de ? Se o parceiro chamar, continuo, se negar, jogo calmamente a , mas se o meu parceiro tiver Rxxx de perdi o cabide (se tiver R10xx, ainda chega), dado que já perdi a entrada no e já nao faço a minha 4ª .
Bem consegui jogar a pior carta de todas que foi o pequeno , nesta situação a única que entregava o contrato e então o carteador deve ter pensado que o PAI NATAL estava atrasado e só agora tinha chegado.
Estou a escrever estas linhas para chamar a atenção aos mais iniciados de 3 coisas que muitas vezes nos esquecemos de pensar... (eu não o fiz)
- porque saiu o meu parceiro a ?
- contar as vazas do morto
- e não tirar conclusões da voz de 3 sem perguntar...
Se tivesse perguntado, quero acreditar que não teria entregue estes 3ST.
Xana Rosado
Comentários
( Envie os seus comentário para Email Comentários )
José moraes:
Adorei a forma como a Xana nos brindou esta mão. O que um jogador deve pensar, e deve fazê-lo o tempo que for preciso, a fim de jogar da melhor maneira possível. Ninguém quer fazer erros, e, no bridge, como noutras actividades, por vezes não é necessário ser brilhante, mas sim cometer o menor número de erros possível.
Para os mais novos jogadores, aconselho a frequentarem o BBO ( Bridge Base Online ) com a finalidade de poderem assistir às transmissões de VUGraph, Bridge em directo, e assim verem alguns muito bons jogadores cometerem os seus erros. Todos os fazem, tal como assumiu a nossa querida Xana. O que esteve errado? A resposta: confiar no parceiro. Pensamento correcto, mas, quando questionando-se pela não saída a paus do parceiro, aí, como está reconhecido pela própria, não acreditou nos dotes, leia-se também razões, do parceiro.
Como podemos observar, o A é entrada para fazer 1 , logo 1 + K + A . Faltam 2. Só serve K10 no parceiro. KJ em também, mas nesse caso o parceiro, tentaria "buscar" honras a paus na saída. Como as tem...
Estas situações ocorrem com todos. Por vezes temos decisões menos felizes. Eu também a tive nesta mão. Perante um lebenshol do meu parceiro em 2NT, (sobre inversa em 2 ), resolvi mostrar uma inversa não mínima, marcando 4 . Inviabilizei o contracto de 3ST. Acabei a jogar 4 , para perder.
É neste mundo de insucessos e alguns sucessos, que nos apaixonamos por nos mantermos. Nada de desistir aquando dos insucessos. Com os sucessos é mais fácil.
Mão completa
|