|
Losing Trick Countapresentação de uma ferramenta de avaliaçãoNota introdutóriaO L.T.C., abreviatura porque é conhecida o método em análise, é uma ferramenta de leilão dos anos 30. Surgiu em 1935, pelas mãos de Dudley Courtenay e G.G.J. Walshe. Mais recentemente, Ron Klinger publicou uma nova versão, adaptando-o à realidade do bridge de competição. Muitos jogadores já ouviram falar mas, surpreendentemente, muito poucos o dominam. Em Portugal o método começou a ser estudado, recentemente, por alguns jogadores. Embora sendo uma ferramenta de simples aplicação e de extraordinária eficácia em mãos desbalançadas, nem assim tem merecido um olhar atento dos especialistas. O objectivo deste artigo é deixar aos leitores as dicas básicas para o uso do método, que pode e deve ser um importante complemento na avaliação de mãos. A leitura do artigo não é, por si só, suficiente para um completo domínio do método. Para quem pretenda aprofundar o assunto de forma mais detalhada, aconselhamos a leitura do livro de Ron Klinger ou a frequência de um módulo dos cursos da Escola, especialmente dedicado ao assunto. COMO AVALIAR?Abre alguma das mãos seguintes, vulnerável?
As mãos foram jogadas num Simultâneo de pares organizado pela E.B.L. Nos comentários anexos, da autoria de jogadores de renome, era referido que se considerava normal abrir a mão I em 1 Vamos servir-nos do L.T.C. para encontrar algumas pistas. CONTANDO PERDENTESO método é muito simples: conta-se uma perdente por cada honra principal em falta (A, R ou D). Existe um total de 3 perdentes por naipe, logo um máximo de 12 perdentes em cada mão. Obviamente, num naipe não pode contabilizar mais perdentes que o número de cartas que possui. Assim: x-x-x; x-x-x-x; x-x-x-x-x são exemplos de 3 perdentes, A-x-x; R-x-x; D-x são exemplos de 2 perdentes, x; A-x; R-x; R; A-R-x-x-x são exemplos de 1 perdente (deve ser considerado também como 1 perdente combinações com A-V-10), A; A-R; A-R-D ou chicane, são exemplos de 0 perdentes.
No exemplo acima, Oeste abre em 1 NOTA IMPORTANTE:
É imprescindível garantir que se verificam, pelo menos, duas destas condições, sendo uma delas a existência de duas vazas defensivas. Assim:
No caso I, apesar das 9 perdentes, deve abrir porque tem 3 vazas defensivas e 12H. No caso II, apesar de ter menos pontos H que os habitualmente necessários para abrir, deve fazê-lo por que tem 2 vazas defensivas (R-D; R-D) e menos de 7 perdentes. Já no caso III, apesar dos 12 pontos, mas com mais de 7 perdentes e menos de 2 vazas defensivas, a atitude correcta é passar. Voltando agora às duas primeiras mãos apresentadas, ambas têm 11 pontos e 7 perdentes mas, enquanto a mão I, tem 2 1/2 vazas defensivas, a mão II tem apenas 1 1/2 vaza defensiva. Logo, deve abrir a mão I e passar na mão II. OS BONS PONTOSTal como qualquer outro método de avaliação, o L.T.C. requer bom senso. Obviamente que D-x-x não tem o mesmo potencial que A-x-x, pelo que alguns ajustamentos são necessários. Desta forma D-?-? é avaliado como duas perdentes quando:
Este tem 9 perdentes, uma vez que a Uma perdente pode, por vezes, ser subtraída em casos especiais. Uma mão rica em ases, por exemplo, ou com um bom suporte em trunfo ou quando é conhecido o bom posicionamento de algumas honras. Os ajustes na contagem de perdentes não podem, no entanto, ser superiores a 1 vaza, para cada mão. ABERTURAS E RESPOSTAS
Depois de abrir em 1 A regra é abrir mãos com 7 ou menos perdentes (sem esquecer as outras condicionantes) e responder à abertura do parceiro com 9 ou menos perdentes. Com 9 perdentes dará uma resposta mínima - mudança de naipe ao nível 1 ou apoio simples. No nosso exemplo, Este tem 6 perdentes mas, em virtude dos 3 ases, deve deduzir uma perdente. Desta forma, sabendo que o parceiro tem, no máximo, 9 perdentes para justificar o seu apoio simples, deve marcar directamente a partida. Vamos ver alguns exemplos do ponto de vista do respondente, após abertura em 1
No bridge actual é comum utilizar o apoio em duplo salto do exemplo 3, para mostrar mãos muito fitadas, com 7 perdentes, mas sem valores defensivos. Assim sendo, na mão do exemplo 4, deverá começar por uma mudança de naipe, manifestando o fit na volta seguinte. Da mesma forma, com:
Após a abertura em 1 O L.T.C. E AS MÃOS BALANÇADASO método não tem grande utilidade em mãos balançadas. Mesmo assim, as perdentes esperadas em mãos balançadas serão, para a zona de 15-17:
Como se pode verificar, as mãos de 15-17 com 4-3-3-3 têm, normalmente, 7 perdentes. As 6 perdentes estão quase sempre associadas a mãos de 4-4-3-2 ou 5-3-3-2, na mesma zona de pontuação. Com a adesão de cada vez maior número de jogadores ao ST fraco, aqui ficam também alguns exemplos para mãos balançadas de 12-14.
Tal como no caso do ST forte, as distribuições 4-3-3-3 nesta zona de pontuação têm, quase sempre, 8 perdentes enquanto que as distribuições 4-4-3-2 ou 5-3-3-2, mesmo na zona mínima, têm tendência para ter apenas 7 perdentes. O REBIDE DO ABRIDORAtente nos seguintes exemplos:
Abriu em 1 Com 17DH e 6 perdentes, o rebide do abridor será, certamente, 3
Abriu em 1 Com 15DH mas apenas 5 perdentes, o rebide do abridor será 4 AS INVERSASUma inversa define-se como um rebide do abridor num naipe de ranking superior ao naipe de abertura, com mudança de nível, i.e.: 1 1 1 1
OS TRICOLORESOs autores do método, Courtenay e Walshe alertavam para o facto de, num contrato trunfado, o declarante necessitar de ter trunfos suficientes para destrunfar e para efectuar os cortes em naipes curtos. Casos há em que, mesmo com 5 ou mais trunfos, o declarante tem dificuldades para executar estas operações. Mas o grande risco surge em jogos com fit 4-4. Na versão original do método era mesmo aconselhado adicionar 1 perdente a mãos tricolores 4-4-4-1. Com efeito, a experiência mostra que estas mãos são difíceis, quer no carteio, quer no leilão. Assim, com:
Deve contar 7 e não 6 perdentes. Deve evitar abrir mãos 4-4-4-1 com qualquer mão mais fraca que a apresentada. ABERTURAS DE BARRAGEMExceptuando casos pontuais de aberturas em 3ª posição e vulnerabilidade favorável, as aberturas ao nível 3, em barragem, devem corresponder a mãos com 7 perdentes (não vulnerável) ou 6 perdentes (vulnerável). Isto para além das condições já conhecidas, como seja a necessidade de se possuir um bom naipe e de não existirem valores com potencial defensivo. Daí resulta que o respondente, salvo situações em que pretenda prolongar a barragem do parceiro, não deve continuar com o leilão a menos que possua uma abertura. ABERTURAS EM 2 FRACOAs aberturas fracas em naipe ao nível 2 ou o equivalente 2 ABERTURAS EM 2 FORTE OU EM FORCING DE PARTIDAAs aberturas em 2 forte ou em 2 forte indeterminado para quem joga 2 As aberturas forcing de partida correspondem a mãos com 8 ou mais vazas de jogo com, pelo menos, 5 vazas rápidas, 23+H e, no máximo, 4 perdentes. ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE O L.T.C.
Após ter aberto em 1
No caso 1 poderá mesmo ser o único par do torneio a marcar a excelente partida, no caso 2, as hipóteses de sucesso são muito remotas, pelo que um mau resultado é quase certo. O L.T.C. é uma ferramenta muito útil para aferir do potencial de mãos fitadas, não balançadas mas esse potencial nem sempre se traduz em resultados práticos. Afinal, em tudo semelhante a qualquer outro método de avaliação, pelo que deve utilizar-se o L.T.C. em complemento com os restantes métodos conhecidos. Lembramos que são factores favoráveis ao L.T.C. a distribuição e a existência de valores no ou nos naipes do parceiro. Quando tal não se verifica, aconselha-se uma atitude mais conservadora. O L.T.C. APÓS ABERTURA ADVERSÁRIAEm caso de abertura pelos adversários temos:
Está concluída a apresentação do L.T.C. Como já foi referido, a leitura deste artigo está longe de esgotar o assunto. Com ele apenas pretendemos chamar a atenção para um método que, se bem aplicado, pode contribuir para uma melhoria significativa da sua capacidade de avaliação de mãos e referir os tópicos principais do método. Caso tenha alguma questão relacionada não hesite em contactar-nos. |

