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boletim informativo
EDITORIAL

Bridge, que futuro?

O ano de 2020 está a ser marcado de forma indelével pelo surto pandémico, com consequências ainda imprevisíveis para o bridge desportivo.

Não só ficou irremediavelmente comprometida a actividade desportiva da época como, muito mais grave, gerou um impacto negativo para as próximas épocas, numa escala que não sendo ainda mensurável levanta sérias preocupações.

Em Novembro realizam-se eleições para os Órgãos Sociais da FPB e da ARBL e os desafios para os novos dirigentes são gigantes. O maior desafio do período pós-covid é recuperar a confiança dos praticantes para o regresso ao bridge presencial.  A solução terá inevitavelmente de passar por um compromisso entre todos os agentes desportivos: dirigentes, clubes e praticantes. É o momento da verdade! Que bridge queremos e o que estamos dispostos a fazer para alcançar os objectivos.

Dos novos dirigentes espera-se coragem para enfrentar os desafios, proactividade na procura de soluções inovadoras e uma acção assertiva e estruturada em três pilares fundamentais: a área competitiva, a formação e a comunicação.

Na área competitiva, com uma estrutura de provas mais ou menos consolidada, as atenções devem centrar-se na inovação e na qualidade. Do aproveitamento das ferramentas comunicacionais à qualidade das instalações e dos materiais de jogo.

Prevê-se que o bridge online venha a beneficiar, em curto prazo, de uma quase revolução tecnológica, tornando as plataformas mais seguras e mais robustas. Penso que ignorar esta vertente será um erro crasso. O online pode trazer ao bridge desportivo um conjunto de mais-valias. Desde logo porque pode ser uma fonte de “recrutamento” muito importante. A idade média dos praticantes vai aumentando, as deslocações dos mais idosos e/ou vulneráveis vão-se tornando mais complicadas, a hora tardia em que acabam as competições é uma dificuldade acrescida.

Na área da formação é necessário criar uma verdadeira estrutura, com um programa pedagógico consolidado, um corpo de monitores devidamente habilitado e identificado com o projecto. Deixar uma área fundamental para o crescimento da modalidade ao sabor de projectos desconexos, mais centrados em interesses comerciais que em critérios técnicos não pode dar bom resultado como o provam os resultados obtidos.

E também nesta área o online pode vir a desempenhar um papel fundamental. É necessário ir à procura dos novos praticantes e não ficar à espera que sejam eles a procurar-nos.

Sendo verdade que nos últimos anos se deram alguns tímidos na área de comunicação, os resultados alcançados são mais ou menos insignificantes.

Cada vez mais vivemos na era da informação. Para além dos media tradicionais, a Internet é uma via comunicacional indispensável. Das mensagens curtas aos artigos mais elaborados sobre o bridge, das páginas oficiais das estruturas federativas ao lançamento de vídeos, entrevistas e reportagens comentadas de provas, tudo constitui veículos de comunicação que temos de saber aproveitar.

Para tudo isto é necessário haver nas estruturas um pelouro próprio, dirigido por pessoas com formação específica. A comunicação não pode continuar a ser o parente pobre da actividade do dirigismo, antes uma absoluta prioridade.

Quanto aos clubes o panorama não é muito animador visto à luz da realidade que vivemos hoje, o que não quer dizer que não seja possível sair da crise com novos projectos e até com uma nova forma de envolvimento dos clubes de bridge no movimento associativo.

O papel do clube de bridge é absolutamente essencial para estabelecer a ponte entre o praticante e os dirigentes federativos e o sucesso dos projectos federativos depende e muito do dinamismo dos clubes seja na captação de novos praticantes, seja em projectos de formação.

Diz-me a experiência que, salvo honrosas excepções, tem sido muito curta a colaboração institucional. Muitos clubes optam por se fecharem nas suas conchas de interesse e lembram-se das estruturas quando delas necessitam. Mas também é verdade que o circuito de comunicação em sentido contrário está longe de ser perfeito.

Sobre os praticantes apenas me apraz dizer que o futuro do bridge será o que eles quiserem que seja. Porque só deles dependem as Instituições.

Luis Oliveira

BREVES

Foi retomado o Campeonato Regional Equipas Open (final B). As 3 jornadas em falta estão a ser disputadas no BBO.

Em 14 e 15 de Novembro irá decorrer a primeira fase do Campeonato Nacional de Equipas com os apurados de cada CR a jogarem em sala, via BBO, nas respectivas regiões.

Novembro é mês de eleições para os Órgãos Sociais da FPB e da ARBL. A AG Eleitoral da FPB decorrerá no dia 21 de Novembro, tendo já sido feita a eleição dos delegados que constituem o colégio eleitoral.

A AG da ARBL decorrerá no dia 28 de Novembro. A entrega de candidaturas decorrerá até 10 dias antes da referida AG e o direito de voto será exercido pelos representantes dos clubes licenciados.

 

O CANTINHO DA TÉCNICA

Porque o bridge é muito mais que sistemas e convenções, neste número vamos lançar-lhe um desafio: seleccionámos 6 mãos com diferentes graus de dificuldade para que encontre o melhor plano de jogo para cumprir o contrato proposto. As suas respostas devem ser enviadas por e-mail para lo8549@sapo.pt, até ao próximo dia 30 de Outubro.  

As 3 primeiras mãos são de dificuldade baixa e as 3 últimas mãos de dificuldade média+. As respostas certas valem 5 pontos cada para as 3 primeiras mãos e 10 pontos cada para as restantes. Garantimos a integral confidencialidade das vossas respostas e, no dia 31 publicaremos aqui as soluções. O jogador mais pontuado terá direito a prémio. Para equilibrar a balança, aos jogadores de 1ª categorias que responderem serão retirados 25% da pontuação total obtida.

MÃO 1 (5 pontos)

OESTE ESTE
♠ R63 ♠ 942
♥ DV98 ♥ AR107
♦ AV762 ♦ 5
♣ 7 ♣ AD652

Este está a jogar 4♥ e Sul saiu à ♠D que fez vaza. A defesa continuou com mais 2 vazas em espadas e Norte, em mão na 3ª vaza, atacou trunfo. Faça o seu plano de jogo para maximizar as hipóteses de conseguir 10 vazas (é importante indicar o timing com que vai jogar).

MÃO 2 (5 pontos)

OESTE ESTE
♠ A972 ♠ V10
♥ V4 ♥ A753
♦ AR1032 ♦ V94
♣ D5 ♣ AR98

A jogar equipas Este recebe a saída ao ♠3 contra 3ST (saídas 1-2-4). Como pode assegurar 9 vazas qualquer que seja a posição das cartas em EO?

MÃO 3 (5 pontos)

OESTE ESTE
♠ ADV10 ♠ 2
♥ A98 ♥ RDV1032
♦ AR7 ♦ 54
♣ 1098 ♣ ARV7

Este está a jogar 7♥ e recebe a saída à ♦D. Como pode maximizar as suas hipóteses? (a resposta requer a indicação do timing escolhido para a execução do seu plano)

MÃO 4 (10 pontos)

OESTE ESTE
♠ AV1O ♠ 954
♥ AR108 ♥ D3
♦ A765 ♦ K4
♣ V7 ♣ AR10432

Este está a jogar 6♣ e recebe a saída ao ♠2. Das várias passagens à sua disposição para tentar ganhar o contrato optimista em que se meteu, qual a eleita e de quais prescinde?

MÃO 5 (10 pontos)

OESTE ESTE
♠ 742 ♠ A108
♥ A98
♦ R93 ♦ AD108762
♣ A1054 ♣ D32

Leilão
ESTE          SUL         OESTE          NORTE
1♦                 1♥            2ST                3♥
5♦

Este está a jogar 5♦ e recebe a saída à ♥D. Qual o plano de jogo?

MÃO 6 (10 pontos)

OESTE ESTE
♠ A832 ♠ RV
♥ V73 ♥ AR2
♦ D2 ♦ AV1098
♣ R765 ♣ A82

Este está a jogar o mais que optimista contrato de 6ST e recebe a saída à ♥10. Por mais desesperada que seja a situação, guarde as críticas ao parceiro para mais tarde e faça o seu plano de jogo.

Boa sorte! 

 

 

 

ESPAÇO DE OPINIÃO E ENTREVISTA

A série de entrevistas que estamos a publicar obedecem a um critério editorial largo que pretende ouvir praticantes que se notabilizam por serviços prestados à modalidade e/ou por resultados importantes na área competitiva nacional e internacional, mas também praticantes que de alguma forma representem aqueles que raramente têm voz 

ENTREVISTA

O entrevistado do mês é o António Palma, que dispensa apresentações, uma vez que é unanimemente considerado como o melhor jogador nacional do momento e com uma já expressiva carreira internacional, a quem agradecemos a disponibilidade.

Um breve curriculum

Por ordem decrescente de importância:

2º european teams championhip wintergames 2017
1º south american teams championshipship 2018
1º south American pairs championship 2018
4º cavendish invitational 2018(pairs)
3º NABC Reisinger 2016( BAM)
13º European open pairs championship 2019
A nível nacional o único registo que sei de cor é:
5x campeonato nacional de equipas open
3x campeonato nacional de pares open

(LO) 
Quando e onde começaste a jogar e como aconteceu isso de teres “crescido” tão depressa na modalidade?

(AP)
Comecei a jogar aos 13 anos num curso dado pelo João Monteiro Marques, em Évora. A parte do “crescimento” é mais subjectivo mas eu sempre me dediquei muito ao bridge. Nos primeiros anos, até vir estudar para Lisboa, lia muitos livros e artigos da revista da federação, tudo o que estivesse ao meu alcance para que pudesse aprender. Quando vim estudar para Lisboa foi muito mais fácil progredir porque podia ver os melhores e discutir bridge com eles, o segundo e mais importante ponto foi a internet e o BBO, que apareceu também nesta altura e aí muita informação ficou disponível, tais como sistema, métodos de sinalização, “agreements” competitivos, etc.

O maior hobby do Sarma e meu era vermos as mãos antigas de vugraph de Bocchi-Duboin, e posteriormente de Bocchi-Madala para percebermos o sistema deles e “desmontar” as suas sinalizações.

(LO)
Queres escolher 3 palavras que, em teu entender, melhor definam o bridge?

(AP)
Concentração é a primeira destacadamente, depois nomearia o raciocínio e a dedicação.

(LO)
Sabemos que vais abraçar um projecto de liderança na modalidade, o que saudamos. Queres adiantar algumas ideias que entendas mais importantes para o desenvolvimento da modalidade?

(AP)
Eu vou estar ligado à parte desportiva, especialmente na construção de regulamentos e nos formatos das provas tentando pois, criar formatos apelativos para que haja maior adesão e comprometo-me a fazê-lo.

Os problemas da modalidade em Portugal, na minha opinião são:
– Poucos praticantes e muito poucos novos praticantes, resultando numa falta de renovação.
– Demasiada fragmentação entre grupos de praticantes o que faz com que o ambiente seja menos prazeroso e afaste alguns membros.
– O “bullying” constante a árbitros e novos praticantes, pelos mais experientes que funciona como cianeto na saúde da modalidade.

(LO)
Já construiste um curriculum invejável no panorama internacional. Em tua opinião o que é que nos falta para nos aproximarmos mais da linha da frente nos nossos desempenhos internacionais?

(AP)
Acho que devemos abandonar o papel de “coitadinhos” por sermos poucos, por não sermos profissionais. A informação está ao alcance de todos, é uma questão de atitude e dedicação para sermos cada vez mais competitivos num plano internacional.
O que eu sinto é que a maior parte dos praticantes não quer sair da sua zona de conforto, e jogam métodos obsoletos quer de carta, como de leilão construtivo e competitivo. Isto leva a uma incapacidade de ombrear com os melhores. Vamos para a guerra de fisga e os nossos adversários de G3.

 (LO)
O bridge em Portugal sempre viveu amargurado com a falta de mediatismo. Alguma ideia para dar visibilidade à modalidade? Concordas que o caminho passa por levar o bridge aos canais de informação e não esperar que sejam eles a vir até nós?

(AP)
Sem dúvida que concordo que tenhamos que ser nós a levar o bridge aos canais de informação e não o contrário, ainda assim acho bastante difícil mediatizar o bridge pois não é um desporto que cative as massas uma vez que não é de fácil compreensão.

(LO)
A iniciativa lançada por ti e pelo Paulo Dias, via facebook, com a análise a algumas mãos por ti jogadas num evento internacional online foi, em meu entender, uma excelente demonstração de como se pode promover o bridge. Como é que se podem levar iniciativas deste tipo a todos os níveis de praticantes?

(AP)
Já fizemos várias coisas deste tipo, lembro-me dum encontro contra Rodwell e Meckstroth e também duns vídeos que fiz sobre o último campeonato da europa que joguei. Acho que seria interessante fazer vídeos para os diferentes níveis de praticantes, analisando as jogadas e ensinando de acordo com as necessidades. Este material ainda se encontra disponível na página do Bridge Portugal no Facebook caso queiram consultar.

(LO)
Queres deixar uma mensagem aos praticantes que pretendem evoluir tecnicamente sobre os passos a seguir?

(AP)
Eu divido em 4 items fundamentais:
– carteio
-flanco
-leilao contructivo(não contestado) e leilão competitivo
-mental

Carteio é a parte mais fácil porque não precisamos do parceiro para treinar, aqui o meu “MO” é ler, ler, ler, jogar, jogar, jogar.

Ler livros, fóruns, artigos, e depois praticar, jogando online, jogando ao vivo, ou mesmo jogando contra robots.

Flanco e leilão é muito mais difícil porque precisamos dum parceiro, e depois que ele pense como nós. Neste dois pontos há bastante material online, começando por termos disponível todas as mãos de vugraph jogadas pelos melhores que nos possibilita entender o que estão a fazer e a pensar, podendo então retirar o que mais gostamos para a nossa parceria.

A parte mental é a que tenho que desenvolver mais, sendo uma das mais importantes. Tenho a sorte de estar num meio que me permite observar diferentes civilizações e os seus vários comportamentos, tenho a população nórdica como um grande exemplo no que respeita ao comportamento, controlo mental e emocional.

Não entrar em euforia, nem baixar os níveis de concentração quando está a correr demasiado bem, tal como, não perder a cabeça quando as coisas estão a correr menos bem. Dormir bem, alimentar-me bem, acordar cedo…..Tudo isto é fulcral para uma boa postura e performance.

Obrigado e boa sorte para os teus projectos futuros.

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